Lembro bem. Era um corcel azul. Nem lembro quantos anos tinha, mas era bem biscuitinha ali sentada com meus irmãos. Nas tardes de bicicleta e praça, a trilha sonora era essa, e era a que eu mais gostava, antes de me apaixonar por aquele menino banguela que ignorava minha existência – depois foi ‘se enamora’ que tomou o posto. Meu pai buscava a gente à tardinha no domingo e seguíamos ouvindo balão mágico dentro daquela carro que era o melhor lugar do mundo pra mim. Mais do que a praça e sua enorme rampa, mais do que a monareta vinho estalando de nova, mais do que a grama macia e seus arbustos. Gostava mesmo de ouvir a voz da Simoni e do Roberto Carlos se misturando à voz linda do meu pai. A voz mais linda do mundo, ainda mais dentro do melhor lugar do mundo que era aquele carro que meu ele conduzia. Foi me ensinando cedo o valor da amizade aqueles passeios claros de sol de domingo. Foi me ensinando cedo a gentileza de meu pai sempre sorridente e cheio de amigos. Foi imaginar os bigodes de foca num nariz de tamanduá que me ensinou que amigo é a melhor coisa do mundo – depois da linda voz, no lindo carro [o carro mais lindo do mundo] de meu pai, claro.

Amigo é que faz ‘coreografia’ e olha pra gente e ri com lindos olhos brilhantes como o Cezário faz. É aquele que enrosca os dedinhos mindinhos nos nossos buscando cumplicidade como faz a Anucha. É a que está com você desde antes de se entender por gente e ampara nas horas de dor como fez muitas vezes a Taty. Aquele que abre as portas pra confortar teu choro de amor e te ouvir a noite inteira, como a Tércia; o que te dá a honra de fotografar o parto do seu filho, como o Paulinho; o que te faz bolar de rir como a Creuza [e esquecer que o nome dela é Luizeunice, e não esse apelido de Creuza que lhe cai tão bem]. A que te lê todos os dias, mesmo em silêncio como a Joelma. É quem segura tua mão pra diminuir a dor da depilação como a Janaína. É acompanhar teu crescimento como a Diva e Valquiria. É ser família moura e mouzinho mesmo que não esteja na certidão e no sangue.

Afortunada sou, deu pra ver, não?

Os nomes que aí estão, são ilustrativos, porque não daria para enumerá-los e dizer o que há neles que me toca, muitos são os outros a quem dedico amor e gratidão e em quem deposito confiança. “E eu adoro, adoro. Difícil é a gente explicar, que é tão lindo”

É  Tão Lindo

A Turma Do Balão Mágico

Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
Parece mesmo estranho, heim!
Também um bico de pato
E um jeitão de sabiá
Mas se é amigo
Não precisa mudar
E é tão lindo
Deixa assim como está
E eu adoro, adoro
Difícil é a gente explicar
Que é tão lindo.
Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá E orelhas de camelo, né tio!
Mas se é amigo de fato
A gente deixa como ele está
É tão lindo, não precisa mudar
É tão lindo é tão bom de se gostar
E eu adoro
É claro
Bom mesmo é a gente encontrar
Um bom amigo
São os sonhos verdadeiros
Quando existe amor
Somos grandes companheiros
Os três mosqueteiros
Como eu vi no filme
É tão lindo, não precisa mudar
É tão lindo deixa assim como está
E eu adoro e agora
Eu quero poder lhe falar
Dessa amizade que nasceu
Você e eu
Nós e você
Vocês e eu
É tão lindo
- Tio
- Heim!
- É legal ter um amigo, né?
- É maravilhoso
Mesmo que ele tenha
Bigodes de foca e até um nariz de tamanduá
- E orelhas de camelo tio, lembra?
- Orelhas de camelo?
- É tio
- É mesmo, orelhas de camelo!
Mas é um amigo, né?
- É
- Então não se deve mudar.

 



- Postado por: Sanka às 10h23
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O post de ontem me rendeu uma grata surpresa. Ou melhor, duas, vindas da mesma pessoa. Fiquei absurdamente emocionada quando entrei aqui e vi o lindo poema [que logo desconfiei que seria música, vindo de quem veio] feito à partir do meu texto, por Luizinho de Aracajú. Luizinho é conhecido músico em Teresina, mas nunca o conheci o suficiente pra dizer “oi”. Tenho ouvido muito falar nele, pela amizade ‘linda’ com Anucha, que faz questão de colocá-lo nas mais altas contas possíveis. Pois bem, como se já não bastasse, recebo uma ligação dele ontem, pra me fazer ouvir a música. Linda!!!

 

Alegria tripla: ver meu texto se transformar em música, ver minha história de amor ser inspiração pra tão singela composição, ver que ainda existe delicadeza no mundo. Obrigada Luizinho!!!

 

[por conta do limite de caracteres, a música ficou lá em baixo, no outro post]

 

Bom, mas antes que eu precise encher este blog de alho e arruda pra afastar o ‘mau olhado’ [brincadeirinha] devo dizer que ‘nem tudo são flores’ e que não existe amor perfeito. Digo isso porque passamos a vida inteira buscando um amor com uma expectativa descomunal de que ele atenda às nossas expectativas mais descomunais ainda de ser absolutamente amada. Mas o que será isso? Rosas vermelhas no aniversário de uma semana de namoro? Jantar à luz de velas com sons de violinos tocados por senhores distintos vestindo fraque? Poemas dedicados a você lidos em público? Eu já quis um amor assim.

 

Queria amor de cinema, um homem correndo na rua com flores na mão [se a Julia Roberts pode, porque não eu? me permito essa comparação; sim, faz parte do exercício]. Queria ser idolatrada como Yoko Onu, desejada como Juliana Paz. Ver ‘loucuras de amor’ sendo feitas pra mim no programa do Gugu [por favor, não riam]. Quis isso tudo de lindo que os romance, novelas e afins nos incutem querer.

 

Hoje, oito anos depois daquele dia em que o destino me mostrou que o amor não é prêmio de loteria, vejo o amor nas nossas mãos dadas assistindo o fantástico, no macarrão que fazemos juntos, no ‘oi amor’ dito ao atender ao telefone. Claro que tem ‘cada um pr’um lado’, silencio selado e cama dividida. Tem TPM incompreendida sendo rebatida com rabugices. Tem choro de raiva e vontade de estar ‘na casa da mamãe’. Mas tem mais do que isso. Tem vontade de dormir agarrado, de ter um sofá laranja, um cachorro chamado jabá e o sonho de uma linda menina de cabelo pixaim pra chamar de Bibi.  Tem certeza do amor brilhando nos olhos.

 

[ainda quero ‘eu te amo’ três vezes ao dia, mãos bobas toda noite, toalha molhada no varal e ouvinte atento. Alguém quer dizer isso a ele?]



- Postado por: Sanka às 09h21
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Infelizmente não vou poder fazê-los ouvir a canção, mas ta aí:

 

Ri, pretinha, ri

Porque a vida é feita assim

Mesmo que um dia a gente chore

Há mais motivos pra sorrir

Ri, pretinha, ri

Porque a vida é o que há

Quem chora da lembrança

Cultiva a esperança

E cada dia há de ser melhor

Quem ama e compartilha

Nunca será uma ilha

Não saberá o que é viver só

Só sabe que o "eu" Sempre será mais "nós"

E as vidas seguem num rumo só

Ri, pretinha, ri

Derrame o choro de felicidade

Ri, pretinha, ri

Pro sentimento contagiar a cidade

Ri, pretinha, ri

Aperta o seu corpo contra o meu

Ri, pretinha, ri

Que este nêgo sempre será todo seu.“

 

[Luizinho de Aracajú]



- Postado por: Sanka às 09h20
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Estávamos no quarto. Eu ria de alguma palhaçada que eu mesma disse. Ele levantou também rindo, pôs um cd pra tocar enquanto procurava um outro cd pra ouvir. Saltei da cama cheia de pernas e braços tentando atrapalhá-lo no que fazia. Acordei ‘de Erê’ e quando isso acontece nada fica quieto perto de mim. Agarrei-o por trás enquanto Vanessa da Mata cantava uma música que eu não conhecia ao longe. Encostei minha cabeça em suas costas como que pra escutar seu coração... “ainda bem, que você vive comigo, porque senão como seria esta vida? Sei lá...”. Naquele instante tudo parou. Senti uma felicidade imensa, como se só agora, ali, naquele instante, eu tivesse a exata medida do que se deu em minha vida desde o último 24 de fevereiro. Era o homem que eu amava que eu abraçava ali. Era nosso quarto, nossa casa, nossa vida, nossa família. Numa fração de segundos cada célula do meu corpo parecia ter consciência das dificuldades pelas quais passamos, de todo o sofrimento que gerou, para estarmos ali - Juntos. “meus beijos sem os seus não daria, os dias chegariam sem paixão”... chorei baixinho enquanto me apertava ainda mais meu corpo contra o dele. Ele virou cuidadoso, sorriu do meu choro como se soubesse o porquê dele. Ensaiou uma dança desajeitada tentando me fazer rir, me jogou na cama e me encheu de cócegas dizendo: “ri, pretinha, ri...” e eu agradeci a Deus por aquele momento tão simples.

 

Ainda bem [Vanessa da Mata]

Ainda bem,
Que você vive comigo
Por que senão,
Como seria esta vida:
Sei lá, sei lá.

Nos dias frios,
Em que nós estamos juntos
Nos abraçamos,
Sobre o nosso conforto
De amar, de amar.

Se há dores, tudo fica mais fácil,
Seu rosto silencia e faz parar.
As flores que me manda são fato,
Do nosso cuidado e entrega.
Meus beijos sem os seus não daria
Os dias chegariam sem paixão.
Meu corpo sem o seu, uma parte
Seria um acaso e não sorte.

Nanananananananananananana...

Neste mundo de tantos sonhos,
Entre tantos outros,
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões,
Esse encontro nós dois,
Esse amor.

Entre tantos outros.
Entre tantos anos,
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões,
Esse encontro, nós dois,
Esse amor.

Entre tantas paixões,
Esse encontro, nós dois,
Esse amor.



- Postado por: Sanka às 10h52
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..Sanka..

SomdeCordeMim

Som de cor de mim
Veja em mim o som da cor
Me dê cor, se ouvir um som
Ouça o som, se vir a cor
E se quiser,
Me veja mais
Mais que jamboaçaígoiaba clara,
Veja mel no negroazulescuro dos meus olhos
Toque o liláslaranjaardente do meu peito
E dance um bluseadoreggaedance compassado
Depois, [se estiver demais cansado]
Mergulhe fundo no céu azul de amaralina
Que tirintila no almofadar do meu pensamento...

..Sanka..





ela é essencialmente assim. tem variáveis. muitas. mas é gargalhada que quer pra vida toda. e vermelho. muito vermelho.


é dele, o coração dela.
Naka.



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