Pare.
[Sugiro que volte outra hora se não tiver algum tempo].
Ouça.
É brisa que vem do que ouve. É cheiro de pele morena livre de modernas vaidades.
Veja.
Arrepio corre o corpo inteiro quando escuta. É, ela pára, inclina o corpo dobrando uma das pernas, pousa as mãos nos quadris, sorri de canto de boca e olha de soslaio.
Charme de quem sabe ser amada.
Preciso platéia?
Não. Não precisa.
Assim ela se basta. Lembra dos quentes e brilhosos olhos que guardou no pensamento.
Sente, seu moço, não tenha pressa. O tempo pode parar se for pra se encher de amor. Pés no chão não são só certeza, são terra corpo adentro.
Sinta.
Sinta o balanço do chão sob a planta do pé, roce os dedos. Levante os braços e inspire o sol que arde. Lace o vento que sopra carregando a poeira.
Olhe.
Abra os olhos de enxergar o que não se pode ver, deixe que eles te digam como voar
em busca dela.
Dela – felicidade - que se perde nos ponteiros da urgência que carregas.
Tema de amor de Gabriela
[Antonio Carlos Jobim]
Chega mais perto moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce, é meu sal
Mas quem sou eu nessa vida tão louca
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra, vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor
