
Lá vai ela
De flor amarela agarrada aos cabelos
O semblante sisudo que serviu de escudo
Pra seguir na vida
Agora sai de cena
E ela serena,
Sorri pro mundo que em ciranda se abre pra dançar com ela.
Essa é minha avó, Conceição Rêgo, numa apresentação de dança do Clube da Melhor Idade Cidade Verde.
Minha bisavó contava que quando ela nasceu, a parteira disse: essa vai ser arrimo de família. Teve infância muito pobre. Desde muito cedo trabalhou para “criar” seus irmãos mais novos enquanto a mãe e o pai trabalhavam duro. Casou-se, teve um único filho e há cinqüenta anos deixou o marido porque ele não queria que ela estudasse. Entrou na primeira faculdade de direito do Piauí, não por vocação, mas porque precisava dar uma vida melhor para os irmãos e o filho. Lutou muito até chegar à Procuradora do Estado, titulo que outras advogadas contemporâneas suas, filhas de abastadas famílias, ostentam com empáfia. Ela não. Ela tinha “os seus” para cuidar, não sobrava dinheiro para gastar consigo, nem tempo para se preocupar com isso. Por tudo o que passou, e nós nem mesmo sabemos um centésimo do que foi, sempre teve o semblante mais sério, de pouco riso, pouca conversa, mas sabia, e sabe, como ninguém, sorrir sua risadinha franca e dar beijo na testa enquanto diz “minha netinha”.
A netinha aqui não tem muito dela. Não da sua coragem, perseverança e força, mas vem aqui homenagear todas as vovós através dela e de seu exemplo.
Ontem foi dia da vovó. Fomos ao clube que ela preside para a festinha que elas sempre promovem. Como é bom recarregar as baterias na alegria daquelas moças que sabem tão bem, sem nada dizer, dar lições de vida.
Ah, tenho dela esses grandes olhos que gostam de olhar no fundo de quem olha e me orgulho muito disso. E as bochechas também. O que eu diria delas? Hum... elas aconchegam o sorriso, né não?
Beijos de netinha orgulhosa pra vocês!
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia,
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida
