“Traz o sol
Que eu abro um sorriso”
Acordou com gosto de céu azul na boca. Tomou mujito, mas não chupou cabo de guarda-chuva. Amanheceu hálito de girassol. Olhou para o lado, fechou de novo os olhos e sorriu por todos os poros. Enfim. Ali. Manhã e noite num só clarão. Enfim. Ali. Foi um tal de estrela saltar do peito, faiscar pipoca na boca, um derramar de luz por toda a cama. Olhou de novo, e ele tinha buraquinhos no queixo, logo abaixo do biquinho de menino travesso cansado da bolapipapetecaminhão com que brincou a noite inteira. Meninas também sabem brincar. E sabem sorrir do que pensam enquanto vêem o homem que amam dormir. E ela sorriu. E se largou mais um pouco entre aquele cheiro de lençóis. Sossegou. Ainda queria sorrir, com ele, poesia para o pôr-do-sol.
Prazer e Luz
Quando a gente dança é luz
Quando a gente ama tudo é manha (manhã)
Tudo é muita luz
Solidão
Parei já com isso
Meu amor
Te quero comigo aqui
Pra fazer já sabe o quê
Traz o sol
Que eu abro um sorriso
Leva um som
Que eu canto contigo até
Até quando amanhecer
Ou até
quando quiser
Essa noite é só prazer e...
[luciana melo]
