Ela olha para o céu claro de Teresina, embora já seja noite. Fecha os olhos. Levanta o canto da boca num quase-sorriso em uma quase-compreensão do que se passa na cabeça dela. Tem vontade de erguer as mãos e sentir a música roçar seus roliços e morenos braços. São muito breves esses minutos... é o mal de ouvir rádio - o balé de Teresina faz novo espetáculo – uma propaganda interrompe, sem cerimônia, a viagem dela ao som da bela voz de Adriana Calcanhoto cantando “Inverno”.
Inverno
Adriana Calcanhoto
(Antônio Cícero/ Adriana Calcanhotto)
No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
Reuniu-se à terra um instante por nós dois
Pouco antes do ocidente se assombrar.
Dias atribulados por aqui. A decisão de eliminar peso e melhorar a alimentação trouxe a necessidade de procurar alguns médicos. Semana passada foi toda dedicada a isso. Cardiologista, porque tenho pressão alta e é preciso controlar, e endocrinologista. A endo, além de auxiliar na dieta, precisa verificar os ovários policísticos. Sim, sou um deposito de doenças congênitas ambulante. Amanhã faço os últimos exames prescritos, exames de sangue pra ver colesterol e cia, e os hormônios.
Afora os turs clinicais, fui incubida da missão de fazer a feijoada da “I FEIJOADA DOS PRETINHOS DO SAMBA” dos meus irmãos. Começamos a maratona de transformar 20 quilos de feijão em feijoada, no sábado pela manhã. Imagina catar [pra usar um termo bem piauiês] 20 quilos de feijão? Nada...
Foi a tarde toda e noite adentro nessa labuta. Eu, que não sou nem besta nem nada, convoquei alguns amigos prum belo “apoio moral”. Deu que a “aprontação” da comida acabou virando farra. Cervejinha, violão, risada, palhaçada...
Dormi na casa da mamis, matei as saudades e acordei cedão pra deixar tudo pronto – os meninos programaram servir o feijão por volta das 13 horas. Fiquei mortinha da silva! Nem queria ir... mas mami disse que se “intrigaria” comigo se eu não fosse. Fui! Mãe é mãe, né? E foi óteeeeeeeeeeeemo. Marido foi pra outro canto tocar e fui lá ouvir muito samba. Revi a galera do pagode, que eu não via há séculos, e matei saudades da Anucha e Lícia.
Graças a Deus a I FEIJOADA DOS PRETINHOS DO SAMBA foi um sucesso. Que venham muitos outros eventos... feijoada não, please. Foi bom, sim, mas é MUITO cansativo.
Olha aí a cara dos Pretinhos:

O da esquerda, de camiseta verde, é meu irmão, o pretim Jordan. No meio, o pretim Paulim. O grandão é o pretim Gerson. Sabe qual é a legenda dessa foto no orkut? "CUIDADO". rs.
