A menina tem nos olhos interrogação. Interrogações sorridentes, diga-se, mas interrogações. É perguntadeira do amor dele, do interesse dele, do carinho dele, do tempo dele. E o tempo dele? Melhor que fosse todinho dela. Traquina, a menina faz graça, da graça que faz, pra agradar a graça dele. Tem bicos e doces, e mel nas palavras que sopra na orelha. Orelha dele. Precisava dizer? Parece que veste sainha de prega e agarra fivela nos lisos cabelos, morde picolé de chocolate e lambe os lábios pra provocar. O que é isso menina? Tome tento! Tenha modos! Tome tenência! E ela ri. Ri, e retribui gargalhando ao mundo, que deu pra ela aquele lindo menino que faz dela feliz.
A "borboleta" com sua felicidade deu o mote. E deu-se a viagem pela alegria dela.
Pra você Licinha!
A menina dança
Quando cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar
De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
Que não levo pra casa
Mas se voce vem perto eu vou lá
Eu vou lá
No canto do cisco
No canto do olho
A menina ainda dança
E dentro da menina
Ainda dança
E se voce fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de voce nascer
Nascer o que há
[Marisa Monte]
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Vontade de chuva. De ver pingo pingando, terra cheirando, cabelo escorrendo nos ombros. Vontade de chover no molhado, de redizer coisas ditas, rememorar lembranças. Vontade de chuva. De torrente correndo cá dentro, de água lavando mazelas, de rio carregando malfazejos pensamentos. Vontade de chover. De derramar odores, chuviscar cores e respingar humores por aí. Não caibo de chuva, de choro contido de dedo ferido no portão, de peito amarrado por amor acabado e abraço desfeito em contramão. Estou num transbordar contínuo que é vontade louca de fazer chover, e dividir, pingo por pingo, o que há da tempestade de coisas revoltas que moram aqui. Torrente das boas. Chuvisco das más.
Encontro da águas
Sem querer te perdi tentando te encontrar
por te amar demais sofri, amor
me senti traído e traidor
Fui cruel sem saber que entre o bem e o mal
Deus criou um laço forte, um nó
e quem viverá um lado só?
A paixão veio assim afluente sem fim
rio que não deságua
Aprendi com a dor nada mais é o amor
que o encontro das águas
Esse amor
hoje vai pra nunca mais voltar
como faz o velho pescador quando sabe que é a vez do mar
Qual de nós
foi buscar o que já viu partir, quis gritar, mas segurou a voz,
quis chorar, mas conseguiu sorrir?
Quem eu sou
pra querer
Entender
O amor
[por Jorge Vercilo]
é, tô dodói...
beijos!!!
