A mim, dispo.
Chega de meias palavras nas entrelinhas das meias intenções. Saltam verbos da minha boca. Ser. Ter. Parecer. Construir. Realizar. O que sou e o que preciso ser de ação. Porque é tão difícil? Fico cá sofrendo com o que poderia ter sido e não foi. E sou expectadora da minha vida passando pelos meus olhos como uma imagem acelerada. E não tem pipoca. Nem guaraná. Não sou o que pareço e tenho mais do que mereço. Vivo construindo castelos que acabam não passando de rabiscos num pedaço de papel. Cada coisa a ser realizada leva mais tempo do que seria necessário pra qualquer pessoa “normal”. E eu sou normal? Sim. Não mais do que aquelas que Caetano diz para serem olhadas de perto, eu sei. E, “de perto, ninguém é normal”. Você se pergunta: o que ela quer dizer? Eu digo... amigo, é hora da contabilidade do ano. De fazer o balancete. [embora eu seja uma completa ignorante nestas questões; na verdadeira acepção da palavra e no paralelo que (mal) traço] E a sensação que o fim do ano traz não é boa. Nunca foi. Desde a infância, quando eu sempre ficava de recuperação. E sempre tinha briga
Down em mim
[Cazuza]
Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nestas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Outra vez vou te cantar, vou te gritar
Te rebocar do bar
E as paredes do meu quarto vão assistir comigo
À versão nova de uma velha história
E quando o sol vier socar minha cara
Com certeza você já foi embora
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Outra vez vou me esquecer
Pois nestas horas pega mal sofrer
Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Down... down
