Primeiro me desculpem a ausência daqui, e de vocês. Foram dias em que estive fora do escritório, fora do meu eixo, fora de um estado emocional razoável. Nem tudo foi ruim esses dias – claro! – mas não estive tranqüila; ou quando ensaiava estar, estava longe de um pc. Peço desculpas, principalmente, por não ter ido à ‘casa’ de cada um de vocês desejar meu “FELIZ NATAL” e expressar todo o meu carinho. Queria poder dar meu melhor abraço e dizer o quanto suas presenças me fizeram feliz nesse ano que se vai.
Tragam suas marmitas
Como em todos os anos, desde que nasci, fui almoçar na casa da minha avó. Este ano “fomos”, já que é o primeiro natal depoi que casei. Então, “fomos”: eu, marido e minha enteada. Como de costume, estavam todos lá... papai, sua esposa e meus irmãozinhos menores: Ivan, que é meu afilhado, de dois aninhos; e Lavínia, que acaba de fazer um mês de vida. Minha mãe e meus irmãos Jordan e Amanda, que faz aniversário junto com o menino Jesus, dia 25. Meus primos e Tia Rosário.
Para quem possa ter estranhado meu pai estar com sua esposa e minha mãe, um adendo: eles se separaram há mais de 20 anos, meu pai está no terceiro casamento [infelizmente sua segunda mulher, minha querida madrasta, faleceu há quase seis anos] e se dão muito bem.
Vovó Conceição é a matriarca da família. Praticamente criou os irmãos mais novos, e cuidou sozinha do único filho, já que se separou com menos de dois anos de casada porque o marido não queria que ela estudasse. A casa dela é uma espécie de quartel general. É lá onde a família se reúne.
Lembro da infância. Como tudo sempre foi. Vovó sentada na sala com Tia Lídia, Tia Mundica e o resto da família, Tia Rosário na cozinha aprontando o almoço, e a criançada correndo pela casa. Caía algo, Tia Rosário logo gritava: “Meu Deuuuuuuuuuuus” [sempre esparrosa...]. Ao que vovó respondia igualmente gritando: “Que foooooooooooooi isso?” [levantava as pernas do sofá e esbugalhava os olhos de susto]. Vendo a cena - balançava a cabeça, serena, como sempre foi, Tia Lídia, que dizia: “Minha gente, pra que isso?”. E a gente disparava a rir, de tantas vezes ver aquilo acontecer.
[Vovó Amélia, Tia Mundica e Tia Lídia não estão mais aqui, deixaram no natal esse gostinho de saudade].
Minha avó gosta de muita fartura, e desde que eu me entendo por gente, o cardápio é o mesmo no natal [e também no “dia das mães”, segunda data em grau de importância, nessa família de muitas mulheres]. Ainda quando minha bisavó era viva, era feito na manteiga o peru; acompanhado de farofa de miúdos e azeitona, salada branca [o segredo que leva maçã verde e abacaxi], e arroz com ervilha. Minha avó servia o almoço à vontade, mais prevenia que não comessem tudo, para deixar para o jantar. Eram assados dois perus. Eu sempre me incomodava com essa coisa de não servir tudo. [devia ser esse meu indefectível talento para ser ‘do contra’; Ou quem sabe a gulodice típica dos gordos]. Dizia à minha avó que era ‘almoço de natal’, que não precisava dessa coisa de todo mundo sair cheio de marmita. Mas todo ano era a mesma coisa... se mamãe não levava as marmitas, tia Rosário reclamava. E lá ia tirar suas ‘tapawers’ do armário. E cantarolava enquanto arrumava as comidas nas vasilhas: “tu vai mas volta...” [uma música de Lázaro do Piauí, compositor piauiense] pra dizer que estava emprestando, mas que era pra devolver logo suas preciosas vasilhas. Até hoje é assim.
Esse ano, quando me despedia de minha avó, ela perguntou: “minha filha, vai levando de tudo?” Foi quando compreendi o quanto aquilo era importante. Era a primeira vez que eu saia do almoço de natal para a minha própria casa, para minha nova família. Foi assim que entendi, que a preocupação de minha avó em nos alimentar, que o cuidado dela em nos cuidar, não se exauria com o almoço. Se estendia até o jantar.
Como não levei minhas marmitas, foi Tia Rosário, satisfeita, me emprestar as suas. Não sem cantarolar, enquanto arrumava a comida: “tu vai mas volta...”.
Deixo o meu desejo de FELICIDADE para o ano que se inicia. Que saibamos, na simplicidade das crianças, encontrar dentro de nós essa amiga que tanto ansiamos ter conosco.
Grande beijo!
Dona Felicidade
[A Turma Do Balão Mágico]
Lua lá no céu,
Queijo pão de mel
Na ponta do pincel,
Mostra no papel aonde encontrar
A tal da dona felicidade
Perguntei pro céu
Perguntei pro mar, pro mágico chinês
Mas parece ninguem sabe, aonde a felicidade
Resolveu de vez morar
Até que um anjo me disse, que ela existe
Que é tão fácil encontrar
Bem lá no fundo do peito o amor é feito
É só você se entregar
E você vai ser muito feliz,
É só na vida acreditar
E você vai ser muito feliz,
É só na vida acreditar
Lua lá no céu...
Lálálálálálálálálá
Lálálálálálálálálá...
